Para refletir…

(…) É certo que o artista não deve ter pressa, é preciso saber esperar. Mas isto do sujeito que só se põe escrevendo “quando sente disposição” é estupidez… Principalmente para o prosador. (…) O prosador lida com a inteligência lógica, está no plano do consciente, das relações de causa e efeito. O seu discurso tem cabeça, tronco e membros, princípio-meio-e-fim, embora pouco importe que muitas vezes o assunto exija que o fim esteja no princípio, e o princípio no meio. Não tem disposição? Não se trata de ter disposição: você é um operário como qualquer outro: se trata de ter horas de trabalho. Então, vá escrevendo, vá trabalhando sem disposição mesmo. A coisa principia difícil, você hesita, escreve besteira, não faz mal. De repente você percebe que, correntemente ou penosamente (isto depende da pessoa) você está dizendo coisas acertadas, inventando belezas, forças, etc. Depois, então, no trabalho de polimento, você cortará o que não presta, descobrirá coisas pra encher os vazios, etc. etc. (…)

REFERÊNCIA
ANDRADE, Mário. Cartas a um Jovem Escritor. Remetente: Mário de Andrade. Destinatário: Fernando Sabino. 3ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1993.
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